UE apoia projeto da UAlg para transformar Ilha da Culatra

UE apoia projeto da UAlg para transformar Ilha da Culatra

O projeto “Culatra 2030 – Comunidade Energética Sustentável”, coordenado pela Universidade do Algarve, em parceria com a Associação de Moradores da Ilha da Culatra, acaba de ser selecionado pelo Secretariado da Clean Energy for EU Islands, para criar uma comunidade piloto em energias renováveis.

A​​​​​​​ Ilha da Culatra é uma das seis ilhas piloto que vai receber apoio do Secretariado Europeu para a energia limpa nas ilhas. A criação de uma Agenda de Transição Energética nesta ilha da Ria Formosa, no Algarve, posicionará a região como centro de excelência em investigação e formação em energias renováveis. Pretende-se ainda criar pontes efetivas entre a comunidade local, a investigação no setor renovável e as empresas, promovendo a sustentabilidade ambiental e a adaptação da ilha às alterações climáticas.

No decurso desse processo dinâmico serão debatidas soluções técnicas com grupos de peritos, incluindo investigadores, associações empresariais e técnicos do setor empresarial. Deste debate com os moradores resultará o dimensionamento de uma planta de geração e armazenamento de energia produzida a partir de fontes de energias renováveis, com a utilização de excedentes para a potencial dessalinização de água e tratamento de resíduos.

“Tendo em conta que a Ilha da Culatra se insere num contexto de área protegida, no Parque Natural da Ria Formosa, e sendo este território administrado por diferentes entidades com competências pelos pareceres de ordenamento e qualidade ambiental, é essencial o seu envolvimento desde o início do processo, de forma a criar uma agenda de transição energética que seja exequível e que considere as barreiras e obstáculos inerentes à sua implementação”, refere André Pacheco, investigador da UAlg e membro da equipa do projeto.  

Porquê a Ilha da Culatra? Porque é o local ideal para testar um novo modelo económico que funcione em circuito fechado, minimizando consumos de materiais e perdas de energia, uma verdadeira “Economia Circular” que permita a sustentabilidade ambiental da ilha e a iminente necessidade de adaptação às alterações climáticas. “O desafio é que todas as estruturas da ilha possam ser energeticamente eficientes e ter consumos mínimos de energia”, explica André Pacheco, acrescentando que “a comunidade deverá produzir energia por fontes exclusivamente renováveis, privilegiar a mobilidade elétrica e possuir hábitos e práticas de vida sustentáveis”. Ou seja, a comunidade deverá gerir o seu sistema energético, a produção de água para autoconsumo e valorizar os seus resíduos.

Recorde-se que o Acordo de Paris reconhece que as ilhas são particularmente vulneráveis às alterações climáticas e extremamente dependentes dos combustíveis fósseis e das importações de energia. Cerca de 15 milhões de europeus vivem nas 2400 ilhas da Europa. Muitas destas ilhas são pequenos sistemas isolados e pequenos mercados. Têm potencial para serem precursoras na transição para energias limpas ao adotarem novas tecnologias e aplicarem soluções inovadoras. A iniciativa da Comissão Europeia “Energias Limpas para as Ilhas Europeias” tem três objetivos principais: promover a autossuficiência energética das ilhas; incentivar a redução da dependência de importação de combustíveis fósseis, aliviando a pressão exercida nos orçamentos públicos; e oferecer as melhores soluções disponíveis e adaptadas caso a caso com vista a promover as energias renováveis nas ilhas.